tenho que te contar.
O meu segredo, aquele de que tu já sabes mas que ainda permanece segredo porque não passado para palavras ditas. Se bem que nas escritas ele aí esteja, por aí em todas, espalhado, espelhado.
Um dia destes conto-te. Sento-me a teu lado, baixo a cabeça para que não me trema a voz de encontro a esse teu olhar cristalino e digo-te. Digo-te daquilo que me indendeia o peito e do que me empurra para o precipício. O que me enche de luz e o que me faz mirrar, como um balão a quem lhe tirem o ar. Conto-te da mágoa pelas horas perdidas, da doçura pelos minutos vividos, da angústia pelo fim das esperanças, da ternura pelo sabor do beijo.
Conto-te e sei que me ouves, que entendes, que me apoias e nunca julgas, que me poisarás talvez a mão nos cabelos. Sei que saberás que só te conto a ti, porque há coisas que só os grandes amigos são capazes de ouvir. Porque há coisas que só dos grandes amigos queremos nós escutar. Está quase na hora de te contar e de te escutar.
Mas primeiro tenho que conseguir prender os pássaros que ainda me esvoaçam no peito para que não se me turve o olhar e prenda a voz na garganta.
Comentários
E também escreves assim.
E também és grande amiga. Daquelas que são para escutar. :-)
Obrigada. É verdade há sempre um(a) amigo(a) que é mais a nossa metade.
escrevonaareia.blogspot.com
Beijos