ao acaso, num pedaço incerto de chão. Ou então nem tanto ao acaso, antes num perímetro escolhido por ti, delimitado, cuidadosamente medido. É por aí que começas, por esse pedaço de chão que escolheste como teu, para sempre ou pelo menos até que as pedras durem, lentamente erodidas por ventos e marés.
Pegas numa pedra e começas uma construção, algo que leva bocados de ti pelo meio, que sobe a pulso, argamassa amassada com paixão, idéias que fazem de trave mestra, suor e sangue para dar tempero, o sabor a que só sabem os projectos que amamos. Acertas prumos, limas arestas, voltas atrás e dás a volta para logo avançares mais um pouco. Observas a tua obra, orgulhas-te. Sorris.
E depois vem alguém que se instala no espaço que tornaste habitável e nem sequer pede licença.
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