melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
Hoje é segunda-feira. Levantar o rabo da cama custa sempre, mas hoje parece que custa um bocadinho mais, não é?
Tá bem, pronto, já vi que de vocês não levo nada com poesia florzinhas e passarinhos, lá terei que ser eu...(não sei é quando e tal, mailogo vá) :-)
Gosto muito do que faço. E ainda que a maior parte dos dias me custe, mais ainda de manhã, tenho de me lembrar que é por uma boa causa... na maior parte das vezes resulta... mas às vezes, não! E nesses dias, só há uma solução: não pensar. Ligar o piloto automático e ir andando até acordar.
Ajuda sempre quando há algo que nos move, como digo ali mais acima. E a ti é fácil de perceber, o que o faz ;-)
De resto, em piloto automático também é como me levanto na maior parte das vezes!