de estar muito tempo fora do meu chão.
Falta-me o sentido de uma identidade que me dá corpo e sustenta. Gosto do mar mas perco-me na lonjura dos horizontes líquidos. Não há um marco que distinga o perto e o longe, uma árvore altiva e solitária a prender-nos o olhar, um monte perdido no cimo do serro. Só água azul e gaivotas. Uma espécie de insularidade toma conta de mim, falta-me o ar e a nostalgia da planície empurra-me para casa.
Assim, faço sempre saídas curtas e repartidas. Também é verdade que cada regresso me conduz de volta à rotina. Ao meu pequeno microcosmos, que pouca variedade oferece. Os mesmos cafés de sempre, as caras habituais, o asfalto que ferve. Cedo me formiga de novo a vontade de conhecer e de ver. Saber de outras gentes. Dormir em camas feitas de lençóis brancos com cheiro a desinfectante industrial onde passo noites insones a amassar almofadas demasiado altas para as minhas cervicais.
Falta-me o sentido de uma identidade que me dá corpo e sustenta. Gosto do mar mas perco-me na lonjura dos horizontes líquidos. Não há um marco que distinga o perto e o longe, uma árvore altiva e solitária a prender-nos o olhar, um monte perdido no cimo do serro. Só água azul e gaivotas. Uma espécie de insularidade toma conta de mim, falta-me o ar e a nostalgia da planície empurra-me para casa.
Assim, faço sempre saídas curtas e repartidas. Também é verdade que cada regresso me conduz de volta à rotina. Ao meu pequeno microcosmos, que pouca variedade oferece. Os mesmos cafés de sempre, as caras habituais, o asfalto que ferve. Cedo me formiga de novo a vontade de conhecer e de ver. Saber de outras gentes. Dormir em camas feitas de lençóis brancos com cheiro a desinfectante industrial onde passo noites insones a amassar almofadas demasiado altas para as minhas cervicais.
Assim me faço de contradições e desfaço em extremos, parto e volto e fico e torno a sair e vou vivendo este querer chegar para, logo a seguir, precisar outra vez de partir.
Comentários
E já agora:
Vou-me embora vou partir/ mas tenho esprança/ de correr o mundo inteiro quero ir/ quero ver e conhecer rosa banca/ a vida dum marinheiro sem dormir.
Lindo, lindo, que coisa mais bonita te foi lembrar o meu post, amiga.
É mesmo isso. E só quem conhece a "toada" se pode emocionar tanto com a letra como nós, alentejanas de gema. :-)