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Quando eu fui*

estudar para Lisboa, para além de uns gloriosos 18 anos, era detentora de uma vontade inquebrantável de fazer o que me desse na real gana. Assim, tudo quanto fosse, nem que apenas ao de leve, susceptível de despertar na moral judaico-cristã vigente (mais ainda naquela altura) um qualquer sentimento de reprovação, era certo e sabido que me cativava.
Nunca me atraiu por aí além o visual punk de cabelos coloridos - detesto agulhas e nem sei como a malta conseguia usar aquelas cenas espetadas por todo o lado... - mas a veste preta da cabeça aos pés foi obrigatória durante uns tempos. Os poetas do Surrealismo faziam parte do conjunto de "bíblias" de cabeceira que coleccionava e, entre eles, o Cesariny com o seu
Entre nós e as palavras há metal fundente....
Porque este "You are welcome to Elsinore" me soava a manifesto contra a falta de expressão dos sentimentos e tinha um cheirinho a liberdade, a Revolução. E porque quando ele dizia que havia
palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
isso me soava à mais bela descrição do amor que alguém poderia ter inventado.

Ser habitué do Frágil também ajudava a conhecer um certo bas fond lisboeta, onde proliferavam figuras das artes e de uma cultura pop-decadente mais enriquecedora que todos os mestrados que pudesse ter concluido nos oito anos que a festa durou.

É quando me lembro de tudo isto que caio em mim e sorrio...

Comentários

É verdade. Eu também me lembro.
Mar disse…
"Mecinhas" frequentadoras dos mesmos circulos, então. :-)
Cometa 2000 disse…
:)

percebo bem o sentimento.
Mar disse…
Não é, cometa? Por que raio nos esquecemos tantas vezes?

E obrigada por teres vindo aqui e assim permitires que conhecesse o teu espaço. :-)

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