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Ora então




vamos lá às explicações que tardam mas não falham, sempre que acreditamos naquilo que defendemos e só afirmamos aquilo que temos convicção de saber que é o caminho certo.

Este blog é Pelo SIM no Referendo, como diz ali ao lado. E, para que melhor se fundamente esta posição, também se pode contar que a sua autora escreveu o seu primeiro texto sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, por volta de 1980, quanto não teria mais que uns 16 anos de idade. É que, já nessa altura, o Partido político que representa as suas convicções político-ideológicas e ao qual desde tenra idade está ligada apresentava, na Assembleia da República, propostas de Projectos de Lei para que deixasse de constituir crime o recurso da mulher à IVG. Há duas décadas atrás...
Ou seja, aquilo que hoje, hipocritamente, o Governo do Partido Socialista não pode deixar de pôr, pela segunda vez, à consideração dos Portugueses, é algo que uma simples alteração legislativa já poderia ter tornado realidade há 20 anos atrás.
Fácil de perceber? Não?
Então especifiquemos.

Por um lado, o Partido Socialista, posicionando-se pelo Sim neste Referendo, recusa-se a dar tal passo na Assembleia da República sem uma consulta popular que vá, claramente, no mesmo sentido. Por outro, isto irá permitir que o PSD e todos aqueles que com ele se opõem à despenalização do aborto, tudo façam para que este Referendo “legitime” a sua posição.
Se, à semelhança do anterior, a participação dos Portugueses fôr lastimável, então a baixa percentagem de votantes fará com que o Referendo não se torne vinculativo, o que significa que vira o disco e toca o mesmo, o segundo Referendo sobre o aborto pode assim vir a constituir um renovado pretexto para que tudo fique na mesma.
Depois virão muitas lágrimas de crocodilo sobre coitaditas das mulheres que morrem porque não têm dinheiro para ir ali a Espanha a umas clínicas todas limpinhas, eles nuestros hermanos que até são um país tão avançado e onde o aborto não é crime.
Como é cá. Por culpa de quem?
Dos portugueses, cuja noção de participação e cidadania está embaciada pelo calor das praias lusitanas mais um garrafão de tinto ou dos Governantes que têm muita pena das mulheres mas a Santa Madre Igreja ainda pode vir a fazer falta numa situação de crise e tal?...

O Referendo não era necessário, bastava que o Partido Socialista assumisse as suas responsabilidades na Assembleia da República e agendasse a discussão das Propostas de Projecto de Lei apresentadas no início desta Legislatura pelo PCP, BE E PEV. Bastava que não tivesse alinhado pela teoria absurda – e sem nenhum fundamento constitucional – de que, uma vez feito um referendo (que, naquele caso, nem sequer teve efeito vinculativo), só por novo referendo se poderá decidir sobre a matéria, e assim contribuído para a negação, explícita ou implícita, da inequívoca legitimidade que a AR mantém para legislar sobre a interrupção voluntária da gravidez tal como sobre outras matérias.

Se não foi capaz de o fazer, porque está manietado por pressões e interesses de toda a ordem, então que sejam as eleitoras e eleitores a fazê-lo nas urnas. Mulheres e homens. Para acabar de uma vez por todas com a vergonha do aborto clandestino, do julgamento de mulheres, com a hipocrisia dos que, dizendo-se defensores da vida não defendem o direito das mulheres a decidir sobre si mesmas, o seu corpo, sobre o futuro que querem ou podem ter.
E sobre a sua vida.

Comentários

shark disse…
Ora toma!
Loud and clear, Mar. Só não percebe a ideia quem tiver entupimentos na cornadura.
Concordo contigo, claro, embora o meu blogue não use crachá... :)
Mar disse…
Pois o meu usa e com muito orgulho!
E tens dúvidas que os que fingem não perceber tudo isto até agora, têm entupimentos na cornadura? Eu não...
jp(JoanaPestana) disse…
mas eles têm entupimentos??
duvido...nem partes para entupir sequer.
e eu tb voto a favor, mesmo sem crachá.
Mar disse…
LOL jp, tens razão, uns eunucos, todos..;-))))

(aliás, havia um que dizia que f***** só para ter filhos não era?)
Anónimo disse…
Totalmente de acordo.
Os "defensores da vida" muito preocupados com a "vida" de um embrião, se virem uma criança com fome, viram a cara para o lado e assobiam. Pandilha de hipócritas e beatas.
Mar disse…
Olá maria e em primeiro lugar bem vinda a este espaço.
Não poderia haver melhor descrição que a tua. Infelizmente é mesmo essa a real actuação desses senhores.
Tanta hipocrisia enjoa.
Mar disse…
JP, por aí se vê, né...o senhor não dava muito uso ao...enfim...e depois isso enublou-lhe as idéias...;-DD
jp(JoanaPestana) disse…
:DD
ele até gostaria de dar,mas a madre santa igreja a isso o proíbe pá!
:D
Mar disse…
Poix, daí o gajo ter um pó desgraçado aos que dão (uso ao...enfim)...;-D
shark disse…
Atão e esta fica no topo até ao dia do referendo, ò menina? Hum?
Mar disse…
Ai, ai nem sei que diga...se calhar fica. Isto tem andado apertado de tempo para blogues e entre pc formatado e falta de net, faz-se o resto...;-)
shark disse…
Ok, tu é que mandas.
Anónimo disse…
Olá Mar vamos ver se desta consigo deixar-te um comentário. Pois é tu sabes que o meu voto é SIM embora defenda que não era preciso referendo, vou colaborar na campanha e dia 11/2 estarei nas mesas de voto. Quanto aos senhores hipócritas do não, por acaso já viste os outdors da Av. da Republica? nojentos.
Susete
Mar disse…
Susete, não vi ainda porque estou no imenso alentejo e não na capital e não vejo quase tv nenhuma, mas imagino...
Obrigada pelo teu testemunho, estamos no memso barco ;-)
cereja disse…
Vim aqui abaixo agora, e venho sublinhar a dita estupidez dos cartazes que já aparecem por Lisboa (e aquilo é caro!)mas temos de nos preparar mas as mentiras do costume - o mostrarem fetos de vários meses como sendo os embriões de que se fala, o atirarem com números dizendo que nos países que permitem o aborto ele subiu muito e por isso é que têm baixa de natalidade,e um chorrilho de parvoíces como sabemos. Ainda há umas semanas, num comentário de jornal (que se estiverem com atenção encontram ali 'pérolas' espantosas!) um cretino punha a hipótese de com a despenalização, uma mulher que estivesse grávida mas uma bela manhã tivesse uma discussão com o marido, ia até a um hospital, abortava sem lhe dizer nada como castigo. Dizem-se coisas destas!!!!!!
shark disse…
E acreditam-se, o que ainda é mais abstrôncio...
Mar disse…
Podes crer Shark, há quem se deixe levar por estas "lavagens" e depois é o país que temos...(onde é que eu já ouvi isto?)
Mar disse…
O que repufgna ainda mais Emiéle, é que quem promove essas campanhas de desinformação, fá-lo com determinado tipo de interesses. Ou achamos que é só em nome da Santa Madre Igreja? Ná. Atão e o Santo Padre Capital?? E os milhões facturados por profissionais em abortos clandestinos (que se calhar até pagam alguns desses caros outdoors...)? E oss favores que se fazem e que se pagam e as luvas e as cunhas e uma mão lava a outra e as duas lavam a cara?
Não me lixem, esses imbecis hipócritas.
Mar disse…
"repugna"
shark disse…
Repufgna é muito mais giro. Fez-me lembrar os estrumpfes... :)))

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